Bem vindo à Rua Direita!
Eu sou a Sophia, a assistente virtual da Rua Direita.
Em que posso ser-lhe útil?

Email

Questão

a carregar
Textos | Produtos                                                    
|
Top 30 | Categorias

Email

Password


Esqueceu a sua password?
Início > Textos > Categoria > Outros > Uma manhã com o Professor José Hermano Saraiva

Uma manhã com o Professor José Hermano Saraiva

Texto escrito nos termos do novo acordo ortográfico.
Categoria: Outros
Visitas: 6
Comentários: 2
Uma manhã com o Professor José Hermano Saraiva

Desde criança que me habituei a ver o Professor Hermano Saraiva na televisão, e a admirar o seu estilo de comunicador. História, tradições, lendas e curiosidades do povo português eram dadas a conhecer e explicadas de um modo claro, vibrante e expressivo. Nunca me cansava de o ouvir, pois, apesar do seu tom grave e da seriedade dos temas que tratava, conseguia não ser enfadonho, usando um discurso que toda a gente conseguia entender.

Era, sem dúvida, uma referência na área da História de Portugal, e recordo-me de ter utilizado algumas das suas obras, durante a minha formação em Arqueologia. Lá na Faculdade, conheci, diretamente ou por leituras, outros grandes vultos da Historiografia portuguesa, mas creio que o Professor Hermano Saraiva seria o mais mediático – e com esse mediatismo, não divulgou somente a História de Portugal, mas também o próprio estudo dessa disciplina.

Alguns anos depois de sair da Faculdade, estava a colaborar com o Museu Nacional de Arqueologia, através do Centro de Emprego, quando soube que o Professor iria realizar um documentário acerca das exposições do Museu. Embora essas gravações fossem ter lugar numa data em que o meu protocolo com o Museu já teria chegado ao fim, ofereci-me para colaborar e acompanhar os trabalhos, até porque era uma altura em que muitos dos colegas estariam de férias e eu, estando desempregado, até tinha tempo disponível.




Assim, na manhã de uma sexta-feira, algures entre o fim de agosto e o princípio de setembro, via entrar aquele senhor de quase 90 anos, de estatura um pouco mais baixa do que aparentava nos seus programas, acompanhado da sua distinta esposa. Formavam um casal que inspirava apreço e respeito.

O Professor revelou uma enorme humildade, não tendo qualquer “tique” de estrela, nem demonstrando qualquer ideia de superioridade, face à equipa que o acompanhava nas filmagens. Ele coordenava os trabalhos, é certo, mas não de modo prepotente. Parecia apenas uma peça na engrenagem, nem mais nem menos importante que todas as outras. E essa mesma humildade usou-a comigo – quase três vezes mais novo e com uma carreira infinitamente mais modesta. Tratou-me de igual para igual, como se eu fosse um colega de longa data, de um modo que sempre recordarei com uma comovedora admiração.

Antes das primeiras filmagens, ele contou-me a história de como tinha conhecido o Professor Leite de Vasconcelos, fundador e primeiro director do Museu. Leite de Vasconcelos era professor universitário e o, então, estudante Hermano Saraiva, foi ter com ele para esclarecer uma dúvida, levantada por, nas suas palavras “uma namorada que eu tinha, na altura”. Infelizmente, o Professor Saraiva não me disse qual foi a pergunta que pôs ao Professor Vasconcelos. Apenas me contou que via o fundador do Museu como a única pessoa capaz de lhe responder, pois era possuidor duma vasta cultura. Vasconcelos respondeu-lhe realmente e, ao agradecer-lhe a resposta, o estudante Hermano Saraiva afirmou que só aquele professor lhe poderia responder, pois sabia tudo! Ao que Leite Vasconcelos contrapôs do seguinte modo: “Não. Eu não sei tudo. E quanto mais estudo, mais me apercebo que sei muito pouco!”

As filmagens correram de um modo fluido e bastante rápido, até. Se bem me lembro, o Professor filmou em três das cinco exposições que o Museu tinha ao público, nessa altura. Antes de cada sessão, ele revia as suas anotações, mas, durante as filmagens, o que dizia, mostrava que era conhecimento de há vários anos, sólido e bem assimilado, já. Na transição entre pontos de filmagem, o Professor apoiava-se no meu braço, ao mesmo tempo que ia debatendo comigo, e escutando a minha opinião, também, acerca dos vários temas que faziam parte do quotidiano de então.

No final das filmagens, ajudei-o a entrar no carro e a prender o cinto de segurança. Bastou o período da manhã, para se fazer o documentário. Foi exibido num dia em que se realizaram eleições (27 de Setembro de 2009), pelo que não deve ter tido grande audiência. Mesmo assim, foi um enorme privilégio que eu pude viver. Uma experiência que será muito difícil de igualar.

Ao respeito e admiração que eu tinha ao comunicador e historiador, juntou-se uma enorme estima, consideração e respeito pelo ser humano. Uma daquelas pessoas que gostávamos de ver viver para sempre.


Paulo c. Alves

Título: Uma manhã com o Professor José Hermano Saraiva

Autor: Paulo c. Alves (todos os textos)

Visitas: 6

607 

Deixe o seu comentárioDeixe o seu comentário

Comentários     ( 2 )    recentes

  • Vicente SilvaVicente

    18-08-2014 às 06:29:58

    Adorei a abordagem do texto desse renomado professor, o José Hermano Saraiva. Muito bom e ele é bem famoso!

    ¬ Responder
  • Jovita CapitãoJovita Capitão

    17-09-2012 às 23:27:22

    Partilho do teu sentimento em relação ao Professor Hermano Saraiva. Era realmente uma pessoa notável!

    ¬ Responder

Comentários - Uma manhã com o Professor José Hermano Saraiva

voltar ao texto
  • Avatar *     (clique para seleccionar)


  • Nome *

  • Email

    opcional - receberá notificações

  • Mensagem *

  • Os campos com * são obrigatórios


  • Notifique-me de comentários neste texto por email.

  • Notifique-me de respostas ao meu comentário por email.

Ex-Machina e a máxima: cuidado ao mexer com os robôs.

Ler próximo texto...

Texto escrito nos termos do novo acordo ortográfico.
Tema: DVD Filmes
Ex-Machina e a máxima: cuidado ao mexer com os robôs.\"Rua
Este texto irá falar sobre o filme Ex_Machina, nele podem e vão ocorrer Spoillers, então se ainda não viram o filme, vejam e voltem depois para lê-lo.

Impressões iniciais:

Ponto para o filme. Já que pela sinopse baixei a expectativa ao imaginar que era apenas mais um filme de robôs com complexo de Pinóquio, mas evidentemente que é muito mais que isso.

Desde as primeiras cenas é possível perceber que o filme tem algo de especial, pois não vemos uma cena de abertura com nenhuma perseguição, explosão ou ação sem propósito, típica em filmes hollywoodianos.
Mais um ponto, pois no geral o filme prende mais nos diálogos cerebrais do que na história em si, e isso é impressionante para o primeiro filme, como diretor, de Alex Garland (também roteirista do filme). O filme se mostrou eficiente em criar um ambiente de suspense, em um enredo, aparentemente sem vilões ou perigos, que prende o espectador.

Entrando um pouco no enredo, não é difícil imaginar que tem alguma coisa errada com Nathan Bateman (Oscar Isaac), que é o criador do android Ava (Alicia Vikander), pois ele vive isolado, está trabalhando num projeto de Inteligência Artificial secreto e quando o personagem orelha, Caleb Smith (Domhnall Gleeson), é introduzido no seu ambiente, o espectador fica esperando que em algum momento ele (Nathan) se mostrará como vilão. No entanto isso ocorre de uma forma bastante interessante no filme, logo chegaremos nela.

Falando um pouco da estética do filme, ponto para ele de novo, pois evita a grande cidade (comum nos filmes de FC) como foco e se concentra mais na casa de Nathan, que fica nas montanhas cercadas de florestas e bastante isolado. Logo de cara já é possível perceber que a estética foi pensada para ser lembrada, e não apenas um detalhe no filme. A pesar do ambiente ser isolado era preciso demonstras que os personagens estão em um mundo modernizado, por isso o cineasta opta por ousar na arquitetura da casa de Nathan.

A casa é nesses moldes novos onde a construção se mistura com o ambiente envolta. Usando artifícios como espelhos, muitas paredes de vidro, estruturas de madeira e rochas, dando a impressão de camuflagem para a mesma, coisa que os ambientalistas julgam favorável à natureza. Por dentro se pode ver de forma realista como podem ser as smart-house, não tenho certeza se o termo existe, mas cabe nesse exemplo. As paredes internas são cobertas com fibra ótica e trocam de cor, um efeito que além de estético ajuda a criar climas de suspense, pois há momentos onde ocorrem quedas de energia, então fica tudo vermelho e trancado.

O papel de Caleb á ajudar Nathan a testar a IA de AVA, mas com o desenrolar da história Nathan revela que o verdadeiro teste está em saber se Ava é capaz de “usar”, ou “se aproveitar” de Caleb, que se demonstra ser uma pessoa boa.

Caleb é o típico nerd introvertido, programador, sem amigos, sem família e sem namorada. Nathan também representa a evolução do nerd. O nerd nos dias de hoje. Por fora o cara é careca, barbudão com uns traços orientais (traços indianos, pois a Índia também fica no Oriente), bebê bastante e ao mesmo tempo malha e mantém uma dieta saudável pra compensar. E por dentro é um gênio da programação que criou, o google, o BlueBook, que é um sistema de busca muito eficiente.

Destaque para um diálogo sobre o BlueBook, onde Nathan fala para Caleb:
“Sabe, meus concorrentes estavam tão obcecados em sugar e ganhar dinheiro por meio de compras e mídia social. Achavam que ferramenta de pesquisa mapeava O QUE as pessoas pensavam. Mas na verdade eles eram um mapa de COMO as pessoas pensavam”.

Impulso. Resposta. Fluido. Imperfeição. Padronização. Caótico.

A questão filosófica vai além disso esbarrando no conceito de “vontade de potência”, de Nietzche, mas sobre isso não irei falar aqui, pois já há textos muito bons por aí.

Tem outra coisa que o filme me lembrou, que eu não sei se é referência ou se foi ocasional, mas o local onde Ava está presa e a forma como ela fica deitada num divã, e questiona se Caleb a observa por detrás das câmeras, lembra o filme “A pele que habito” de Almodóvar, um outro filme excelente que algum dia falarei por aqui.

Talvez seja uma versão “O endoesqueleto de metal e silicone que habito”, ou “O cérebro positrônico azul que habito”, mesmo assim não podia deixar de citar a cena por que é muito interessante.

Pesquisar mais textos:

Jhon Erik Voese

Título:Ex-Machina e a máxima: cuidado ao mexer com os robôs.

Autor:Jhon Erik Voese(todos os textos)

Alerta

Tipo alerta:

Mensagem

Conte-nos porque marcou o texto. Essa informação não será publicada.

Deixe o seu comentárioDeixe o seu comentário

Comentários

  • Suassuna 11-09-2015 às 02:03:47

    Gostei do texto, irei conferir o filme.

    ¬ Responder
  • Jhon Erik VoeseJhon Erik Voese

    15-09-2015 às 15:51:02

    Que bom, obrigado! Espero que goste do filme também!

    ¬ Responder

Pesquisar mais textos:

Deixe o seu comentário

  • Nome *

  • email

    opcional - receberá notificações

  • mensagem *

  • Os campos com * são obrigatórios