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O brinquedo dos grandes

Texto escrito nos termos do novo acordo ortográfico.
Categoria: Brinquedos
Visitas: 14
Comentários: 2
O brinquedo dos grandes

No meu quotidiano tenho muitas vezes ouvido chamar “brinquedo dos grandes” por exemplo ao automóvel, brinquedo caro que todos queremos ter, nem que seja em segunda mão, nem que seja velhinho, mas que nos leve onde precisamos… depois, claro está, há aqueles que se contentam com um brinquedinho velho, pequeno, usado, mas também há os outros que querem um carrão, novinho em folha e de preferência ultimo modelo…

Outros grandes, preferem outros brinquedos como consolas, sim, isso mesmo, consolas, que não são só para as crianças, ou computadores, ou ainda telemóveis, tablets, e tantos outros “gadgets”, porém aconteceu recentemente algo que me surpreendeu verdadeiramente… vejam então:

Um dia destes fui para um piquenique preparada com uma porção de brinquedos para as crianças. As crianças quase sempre são o centro das nossas atenções, tanto pelos cuidados de que necessitam como pela atenção e carinho que nos merecem, por isso, brinquedos para elas.

Levei três cordas de saltar que embora não soubessem brincar com elas logo lhes deram muito que fazer… os maiorzinhos conseguiram brincar a ver quem era mais forte puxando um para cada lado (na verdade fazem isso com qualquer brinquedo, mas isso é outra história) o mais pequenino pegou no punho da corda e fez dele um microfone e cantou que se fartou e nos deliciou… é lindo ver a alegria das crianças que ignoram por completo tudo o que é problemas neste mundo…
Também levei um disco para atirar e lá brincaram até que um se magoou… está sempre a acontecer… mas levei também uns piões que no princípio os entusiasmaram muito, e eu fiquei entretida a enrolar as cordinas para eles tentarem lançar os ditos… mas enfim, ao fim ao fim de algum tempo cansaram-se de não conseguir, coisa que eu fui mais célere em desistir… e fui dar uma volta ao mesmo tempo que estes pequenotes se precipitaram sobre os balouços que afinal estavam lá à espera deles…

Acabei a minha passeata e no regresso os meus olhos regalaram-se… três grandes com idades compreendidas entre os vinte e os oitenta anos estavam entretidos a brincar com os peões… lindo… ficaram lá tempos sem fim, e jubilavam cada vez que os faziam rolar… sim, porque eles conseguiam fazê-los rodopiar no pavimento lindamente… e sabem que mais? Estavam felizes, contentes, riam, vibravam e faziam sorrir quem estava à volta… Ao contrário daqueles brinquedos dos grandes que custam uma fortuna e os isolam do mundo… uma meia dúzia de Euros consegue por bem disposta uma multidão!!!

Eleito o novo brinquedo dos grandes: O pião!


Ana Sebastião

Título: O brinquedo dos grandes

Autor: Ana Sebastião (todos os textos)

Visitas: 14

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Comentários     ( 2 )    recentes

  • SophiaSophia

    25-04-2014 às 18:16:14

    Brincar não tem idade, devemos sempre ter um coração de criança! A Rua Direita agradece sua colaboração nesse excelente texto.

    ¬ Responder
  • Eunice RibeiroEunice Ribeiro

    15-10-2012 às 09:04:50

    Gostei!!!

    ¬ Responder

Comentários - O brinquedo dos grandes

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Ex-Machina e a máxima: cuidado ao mexer com os robôs.

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Texto escrito nos termos do novo acordo ortográfico.
Tema: DVD Filmes
Ex-Machina e a máxima: cuidado ao mexer com os robôs.\"Rua
Este texto irá falar sobre o filme Ex_Machina, nele podem e vão ocorrer Spoillers, então se ainda não viram o filme, vejam e voltem depois para lê-lo.

Impressões iniciais:

Ponto para o filme. Já que pela sinopse baixei a expectativa ao imaginar que era apenas mais um filme de robôs com complexo de Pinóquio, mas evidentemente que é muito mais que isso.

Desde as primeiras cenas é possível perceber que o filme tem algo de especial, pois não vemos uma cena de abertura com nenhuma perseguição, explosão ou ação sem propósito, típica em filmes hollywoodianos.
Mais um ponto, pois no geral o filme prende mais nos diálogos cerebrais do que na história em si, e isso é impressionante para o primeiro filme, como diretor, de Alex Garland (também roteirista do filme). O filme se mostrou eficiente em criar um ambiente de suspense, em um enredo, aparentemente sem vilões ou perigos, que prende o espectador.

Entrando um pouco no enredo, não é difícil imaginar que tem alguma coisa errada com Nathan Bateman (Oscar Isaac), que é o criador do android Ava (Alicia Vikander), pois ele vive isolado, está trabalhando num projeto de Inteligência Artificial secreto e quando o personagem orelha, Caleb Smith (Domhnall Gleeson), é introduzido no seu ambiente, o espectador fica esperando que em algum momento ele (Nathan) se mostrará como vilão. No entanto isso ocorre de uma forma bastante interessante no filme, logo chegaremos nela.

Falando um pouco da estética do filme, ponto para ele de novo, pois evita a grande cidade (comum nos filmes de FC) como foco e se concentra mais na casa de Nathan, que fica nas montanhas cercadas de florestas e bastante isolado. Logo de cara já é possível perceber que a estética foi pensada para ser lembrada, e não apenas um detalhe no filme. A pesar do ambiente ser isolado era preciso demonstras que os personagens estão em um mundo modernizado, por isso o cineasta opta por ousar na arquitetura da casa de Nathan.

A casa é nesses moldes novos onde a construção se mistura com o ambiente envolta. Usando artifícios como espelhos, muitas paredes de vidro, estruturas de madeira e rochas, dando a impressão de camuflagem para a mesma, coisa que os ambientalistas julgam favorável à natureza. Por dentro se pode ver de forma realista como podem ser as smart-house, não tenho certeza se o termo existe, mas cabe nesse exemplo. As paredes internas são cobertas com fibra ótica e trocam de cor, um efeito que além de estético ajuda a criar climas de suspense, pois há momentos onde ocorrem quedas de energia, então fica tudo vermelho e trancado.

O papel de Caleb á ajudar Nathan a testar a IA de AVA, mas com o desenrolar da história Nathan revela que o verdadeiro teste está em saber se Ava é capaz de “usar”, ou “se aproveitar” de Caleb, que se demonstra ser uma pessoa boa.

Caleb é o típico nerd introvertido, programador, sem amigos, sem família e sem namorada. Nathan também representa a evolução do nerd. O nerd nos dias de hoje. Por fora o cara é careca, barbudão com uns traços orientais (traços indianos, pois a Índia também fica no Oriente), bebê bastante e ao mesmo tempo malha e mantém uma dieta saudável pra compensar. E por dentro é um gênio da programação que criou, o google, o BlueBook, que é um sistema de busca muito eficiente.

Destaque para um diálogo sobre o BlueBook, onde Nathan fala para Caleb:
“Sabe, meus concorrentes estavam tão obcecados em sugar e ganhar dinheiro por meio de compras e mídia social. Achavam que ferramenta de pesquisa mapeava O QUE as pessoas pensavam. Mas na verdade eles eram um mapa de COMO as pessoas pensavam”.

Impulso. Resposta. Fluido. Imperfeição. Padronização. Caótico.

A questão filosófica vai além disso esbarrando no conceito de “vontade de potência”, de Nietzche, mas sobre isso não irei falar aqui, pois já há textos muito bons por aí.

Tem outra coisa que o filme me lembrou, que eu não sei se é referência ou se foi ocasional, mas o local onde Ava está presa e a forma como ela fica deitada num divã, e questiona se Caleb a observa por detrás das câmeras, lembra o filme “A pele que habito” de Almodóvar, um outro filme excelente que algum dia falarei por aqui.

Talvez seja uma versão “O endoesqueleto de metal e silicone que habito”, ou “O cérebro positrônico azul que habito”, mesmo assim não podia deixar de citar a cena por que é muito interessante.

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Jhon Erik Voese

Título:Ex-Machina e a máxima: cuidado ao mexer com os robôs.

Autor:Jhon Erik Voese(todos os textos)

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Comentários

  • Suassuna 11-09-2015 às 02:03:47

    Gostei do texto, irei conferir o filme.

    ¬ Responder
  • Jhon Erik VoeseJhon Erik Voese

    15-09-2015 às 15:51:02

    Que bom, obrigado! Espero que goste do filme também!

    ¬ Responder

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