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Acessórios De Escrita

Acessórios De Escrita

Os acessórios de escrita revelam-se absolutamente fundamentais para a existência da própria arte de escrever. A bem da verdade, como subsistiria a caligrafia sem algo que a materializasse?

Pode ser um dedo a formar letras irrompendo por entre grãos de areia, uma pedra a esboçar noutra uma mensagem, uma pena cujo rasto de tinta traduz uma missiva, uma lapiseira que risca o papel, ou um computador que permite até adicionar imagens e outras mais-valias à composição.

Independentemente dos acessórios, é a escrita que perpetua as palavras que se pretendem comunicar. Isto, claro, quando o vento não homogeneíza novamente o areal, a chuva não lava a pedra, a tinta não seca, o papel não arde e o computador não “decide” hibernar para sempre…

Naturalmente, há registos cujo valor tornariam a perca trágica e outros que nem tanto. Neste último rol englobar-se-iam, certamente, determinadas auto-biografias, em que o conceito de “auto” é altamente discutível e o de “biografia” substituiria, na perfeição, o vulgar “contar carneirinhos” para adormecer.

Neste contexto, os cientistas ainda poderiam dar um grande contributo à investigação, estabelecendo uma relação de causa-efeito entre as auto-biografias e as propriedades soníferas da leitura. Para além de constituir uma opção muito mais saudável do que os vulgares fármacos…

O bocejar assumiria, assim, uma dimensão cultural, que lhe aportaria uma justificação socialmente mais aceitável.

Não há dúvida de que, para qualquer escritor, um dos principais acessórios da redacção, a par da cultura, da própria experiência e dos auxiliares palpáveis, é mesmo a inspiração.

Quando se escreve, parte-se do princípio que alguém nos vai ler. Não obstante, pelo sim e pelo não, mais vale acrescentar um paninho do pó à lista dos acessórios de escrita; é que a nossa marca pode demorar algum tempo a ser lida…


Rua Direita

Título: Acessórios De Escrita

Autor: Rua Direita (todos os textos)

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Imagem por: Andreanna Moya Photography

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Pulp Fiction: 20 anos depois

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Tema: Arte
Pulp Fiction: 20 anos depois\"Rua
Faz hoje 20 anos que estreou um dos mais importantes ícones cinematográficos americanos.

Pulp Fiction é um marco do cinema, que atirou para a ribalta Quentin Tarantino e as suas ideias controversas (ainda poucos tinham visto o brilhante “Cães Danados”).

Repleto de referências ao cinema dos anos 70 e com uma escolha de casting excepcional, Pulp Fiction conquistou o público com um discurso incisivo (os monólogos bíblicos de Samuel L. Jackson são um exemplo disso), uma violência propositadamente mordaz e uma não linearidade na sucessão dos acontecimentos, tudo isto, associado a um ritmo alucinante.

As três narrativas principais entrelaçadas de dois assassinos, um pugilista e um casal, valeram-lhe a nomeação para sete Óscares da Academia, acabando por vencer na categoria de Melhor Argumento Original, ganhando também o Globo de Ouro para Melhor Argumento e a Palma D'Ouro do Festival de Cannes para Melhor Filme.

O elenco era composto por nomes como John Travolta, Samuel L. Jackson, Bruce Willis, Uma Thurman e (porque há um português em cada canto do mundo) Maria de Medeiros.

Para muitos a sua banda sonora continua a constar na lista das melhores de sempre, e na memória cinéfila, ficam eternamente, os passos de dança de Uma Thurman e Travolta.

As personagens pareciam ser feitas à medida de cada actor.
Para John Travolta, até então conhecido pelos musicais “Grease” e “Febre de Sábado à Noite”, dar vida a Vincent Vega foi como um renascer na sua carreira.

Uma Thurman começou por recusar o papel de Mia Wallace, mas Tarantino soube ser persuasivo e leu-lhe o guião ao telefone até ela o aceitar.

Começava ali uma parceria profissional (como é habitual de Tarantino) que voltaria ao topo do sucesso com “Kill Bill”, quase 10 anos depois.

Com um humor negro afiadíssimo, Tarantino provou em 1994 que veio para revolucionar o cinema independente americano e nasceu aí uma inspirada carreira de sucesso, que ainda hoje é politicamente incorrecta, contradizendo-se da restante indústria.

Pulp Fiction é uma obra genial. Uma obra crua e simultaneamente refrescante, que sobreviveu ao tempo e se tornou um clássico.
Pulp Fiction foi uma lição de cinema!

Curiosidade Cinéfila:
pulp fiction ou revista pulp são nomes dados a revistas feitas com papel de baixa qualidade a partir do início de 1900. Essas revistas geralmente eram dedicadas às histórias de fantasia e ficção científica e o termo “pulp fiction” foi usado para descrever histórias de qualidade menor ou absurdas.

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Carla Correia

Título:Pulp Fiction: 20 anos depois

Autor:Carla Correia(todos os textos)

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