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Frigoríficos e arcas

Categoria: Electrodomésticos
Frigoríficos e arcas

Grandiosas invenções, os frigoríficos e as arcas vieram poupar espaço aos fumeiros e permitir uma decoração mais gélida, diga-se assim, das esquinas das cozinhas, marquises, e outros recantos onde se consigam enfiar estes aparelhos de frio.

De facto, considera-se quase sempre desproporcional a área que ocupam e a capacidade de arrumação que propiciam. Não obstante, é indiscutível a sua utilidade e até versatilidade.

Apesar das baixas temperaturas que possibilitam, não se pode declarar que estas sejam máquinas sem coração. De outra forma, a que palpitar se deveria a barulheira que, de vez em quando, acorda toda a gente em casa, durante a noite?

E depois, há a estreita relação que determinados alimentos desenvolvem com o lugar que lhes corresponde nas prateleiras ou gavetas dos frigoríficos e arcas, de tal maneira arreigada que não se querem despegar nem por nada. É o que se pode apelidar de verdadeira afiliação e fidelidade a quanto obrigas!

Mas os frigoríficos e as arcas não têm somente as funcionalidades que nos habituámos a reconhecer-lhes.

Muitos acumulam ainda as funções de porta-bibelôs, outros revelam-se úteis como mesas de escritório, há os que, volta e meia, funcionam como sacos de pancada e, em casos mais graves, mormente de ausência temporária de discernimento, alguns frigoríficos e arcas têm de suportar convites para dançar sob a névoa de um terrível hálito a bebida e aguentar declarações babadas de amor eterno, baseadas no fundamento de que são a coisa mais fresca que aconteceu na vida de quem, pelos vistos, precisaria de refrescar as ideias…!


Rua Direita

Título: Frigoríficos e arcas

Autor: Rua Direita (todos os textos)

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Fine and Mellow

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Tema: Música
Fine and Mellow\"Rua
"O amor é como uma torneira
Que você abre e fecha
Às vezes quando você pensa que ela está aberta, querido
Ela se fechou e se foi"
(Fine and Melow by Billie Holiday)

Ao assistir a Bio de Billie Holiday, ocorreu-me a questão Bluesingers x feminismo, pois quem ouve Blues, especialmente as mais antigas, as damas dos anos 10, 20, 30, 40, 50, há de pensar que eram mulheres submissas ao machismo e maldade de seus homens. Mas, as cantoras de Blues, eram mulheres extremamente independentes; embora cantassem seus problemas, elas não eram submissas a ponto de serem ultrajadas, espancadas... Eram submissas, sim, ao amor, ao bom trato... Essas mulheres, durante muito tempo, tiveram de se virar sozinhas e sempre que era necessário, ficavam sós ou mudavam de parceiros ou assumiam sua bissexualidade ou homossexualidade efetiva. Estas senhoras, muitas trabalharam como prostitutas, eram viciadas em drogas ou viviam boa parte entregues ao álcool, merecem todo nosso respeito. Além de serem precursoras do feminismo, pois romperam barreiras em tempos bem difíceis, amargavam sua solidão motivadas pelo preconceito em relação a cor de sua pele, como aconteceu a Lady Day quê, quando tocava com Artie Shaw, teve que esperar muitas vezes dentro do ônibus, enquanto uma cantora branca cantava os arranjos que haviam sido feitos especialmente para ela, Bilie Holiday. Foram humilhadas, mas, nunca servis; lutaram com garra e competência, eram mulheres de fibra e cheias de muito amor. Ouvir Billie cantar Strange Fruit, uma das primeiras canções de protestos, sem medo, apenas com dor na alma, é demais para quem tem sentimentos. O brilho nos olhos de Billie, fosse quando cantava sobre dor de amor ou sobre dor da dor, é insubstituível. Viva elas, nossas Divas do Blues, viva Billie Holiday, aquela que quando canta parte o coração da gente; linda, magnifica, incomparável, Lady Day.

O amor vai fazer você beber e cair
Vai fazer você ficar a noite toda se repetindo

O amor vai fazer você fazer coisas
Que você sabe que são erradas

Mas, se você me tratar bem, querido
Eu estarei em casa todos os dias

Mas, se você continuar a ser tão mau pra mim, querido
Eu sei que você vai acabar comigo

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Sayonara Melo

Título:Fine and Mellow

Autor:Sayonara Melo(todos os textos)

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