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Como sobreviver a uma tempestade sonora

Texto escrito nos termos do novo acordo ortográfico.
Categoria: Música
Visitas: 2
Comentários: 16
Como sobreviver a uma tempestade sonora

Os dias começam sempre da mesma maneira. A cidade mexe-se sempre ao mesmo ritmo, e dentro habitam sempre os mesmos habitantes em frenética rotina rumo aos mesmos sítios de sempre. Bem há algumas diferenças.

Hoje o céu cobriu-se de pássaros negros que voavam em sincronizada celebração, possivelmente pelo delírio terreno que fazia subir as vibrações até ao infinito.

E as pessoas deixaram-se levar por essas mesmas ondas sonoras. Sem quererem envolveram-se num registo único em que o silêncio era interrompido por ondas crescentes compostas de uma abnegada vontade de levar a perfeição até ao limite da resistência humana.

Cada um encontrou-se consigo mesmo na sua própria dimensão, de vontade própria, com a sua infinita capacidade de criação sem que fosse domesticado a um formato já gasto de tanto ser usado e ainda assim tão lucrativo!




E não podia terminar assim o delírio, a água, ela própria envolvendo toda a beleza e a destruição provocada pela mão perversa do ser humano, começou a elevar-se, gota por gota, enquanto uma guitarra e duas mãos assinaláveis, dedilhavam um conjunto de sons que faziam prescrever qualquer noção de maldade humana. Contraditório, mas o ser humano é assim mesmo...

E o que dizer de dias que começam em oníricas sensações de desapego pelos bens materiais, como se apenas fosse possível alcançar a felicidade pela natureza própria de cada um, por sua vez em absoluta comunhão com a mãe natureza.

E ainda assim as pessoas seguem absortas na sua vontade de viver sempre um pouco mais do mesmo, com limites impostos e impostos para todos os gostos, agudizando dentro das suas cabeças os insuportáveis silêncios ensurdecedores que aliviam apenas a culpa pelo seu egoísmo que as impede de ser cúmplices com a beleza de cada som que as rodeia.

Da mesma maneira que os dias assim começam, quando seguem caminho por direções imprevistas podem encontrar novos estímulos que levam os ouvidos a degustar as impossíveis notas saídas de espíritos que apenas circundam a dimensão em que elas vivem.

E à noite, quando se deitam, possivelmente com as dores de cabeça e a felicidade alcançada por mais um dia de rotina assassina, é possível, ainda assim, que se escutem os sons saídos das suas almas, presas aos corpos que se auto-limitam ao que lhes é impingido.


António Borges

Título: Como sobreviver a uma tempestade sonora

Autor: António Borges (todos os textos)

Visitas: 2

661 

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Comentários     ( 16 )    recentes

  • SophiaSophia

    13-05-2014 às 19:08:38

    Todos os dias temos tempestades que podemos passar e aprender com eles. Muito bom texto!
    Cumprimentos,
    Sophia

    ¬ Responder
  • M.L.E.- Soluções de Climatizaçãorita crespo

    20-09-2012 às 11:11:13

    Já descobri como se vota! Espero que continues a dar vazão à tua vocação!

    ¬ Responder
  • M.L.E.- Soluções de ClimatizaçãoLuiza Caetano

    08-09-2012 às 13:45:26

    "E o que dizer de dias que começam em oníricas sensações de desapego pelos bens materiais, como se apenas fosse possível alcançar a felicidade pela natureza própria de cada um, por sua vez em absoluta comunhão com a mãe natureza."

    Concordo plenamente com esta tua postura literária, até porque comungo com ela no que se refere á fuga às habituais carneiradas com objetivos mais ou menos rotineiros. Sem criatividade nos seus caminhos de vulgaridade quotidiana. A imposição do Yes Sir tem muita força junto daqueles que não tem força, nem ânimo. Não estão nem aí para a sublime espiritualidade com a mãe natureza.
    PARABÉNS pelos textos que são excelentes e pela coragem de ires em frente. Muita Força e Muita Luz, Manuel Marques. Beijos.

    ¬ Responder
  • António BorgesAntónio Borges

    12-09-2012 às 10:13:53

    Obrigado pelas palavras, pela força, pelos elogios. É sempre um privilégio ter um comentário teu! Beijinhos e abraços!!!

    ¬ Responder
  • Dolores Jardim

    05-09-2012 às 21:24:26

    Boa-tarde, meu dileto amigo e autor que saudades!
    Como é gratificante ter diante de meus olhos um texto que realmente faz valer a pena.Ler, e reler e não querer que chegue o final, para poder sorver cada palavra que escreves com a realidade latente a que estamos convivendo.

    Amei intensamente este texto teu, pela veracidade que nele imprimiste, o que aliás é teu estilo.

    Parabéns e continua sempre assim, exatamente assim.

    Forte abraço e beijos
    Dolores Jardim

    ¬ Responder
  • M.L.E.- Soluções de ClimatizaçãoCarlos Fonseca

    05-09-2012 às 17:13:29

    Excelente este teu texto, gostei bastante,há muito tempo que não lia nada teu. Obrigado.

    Aceita o meu grande e fraterno abraço!

    ¬ Responder
  • TERESA AMARAL

    05-09-2012 às 16:38:23

    Boa tarde , como eh bom voltar a te ver por aqui e escrevendo, saudades dos teus textos, das tuas poesias, enfim saudades de ler algo que me diga alguma coisa. Ateh sempre meu amigo, bjo

    ¬ Responder
  • António BorgesAntónio Borges

    05-09-2012 às 21:38:11

    olá! obrigado pela visita! espero que voltes rápido, porque inundarei este sítio com estas pequenas crónicas de como sobreviver, sempre com uma canção portuguesa como inspiração!!! abraços!!!

    ¬ Responder
  • Virgínia de Sá

    05-09-2012 às 15:56:30

    Sou transportada para um Universo paralelo, o da escrita, que me faz lembrar a delícia que é essa excelente terapia de deixar à solta o nosso cavalo da imaginação. E como soltas esse cavalo!!! Ainda bem que voltaste. Abraço. Sempre.

    ¬ Responder
  • Paulo Vajão

    05-09-2012 às 14:46:52

    Não me surpreende a tua excelente escrita, um Forte Abraço!!!

    ¬ Responder
  • António BorgesAntónio Borges

    07-09-2012 às 00:04:32

    grande abraço amigo Paulo obrigado pela visita e pelos elogios!

    ¬ Responder
  • Paula Victorino

    05-09-2012 às 13:01:04

    Hoje a rotina obscura e asfixiante foi quebrada pelo poder da "PALAVRA" Saudades de te ler, meu amigo.
    Um beijinho imenso para ti, e os meus parabéns ao NERO eheheh....:)

    ¬ Responder
  • António BorgesAntónio Borges

    05-09-2012 às 14:55:16

    pelo Nero obrigado!!! :), pela visita ainda mais e não te esqueças de voltar!!! beijinhos!!!

    ¬ Responder
  • M.L.E.- Soluções de ClimatizaçãoElsa Pacheco

    04-09-2012 às 20:43:23

    Muito bonito! Parabéns!

    ¬ Responder
  • António BorgesAntónio Borges

    05-09-2012 às 11:33:57

    olá! obrigado pela visita, volta sempre é isso que dá alegria!!!

    ¬ Responder
  • M.L.E.- Soluções de ClimatizaçãoManuel

    05-09-2012 às 21:32:38

    obrigado amigo Carlos! grande abraço e volta sempre que os textos irão continuar!!!

    ¬ Responder

Comentários - Como sobreviver a uma tempestade sonora

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Autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein, pela primeira vez em Portugal

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Texto escrito nos termos do novo acordo ortográfico.
Tema: Literatura
Autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein, pela primeira vez em Portugal\"Rua
Gertrude Stein foi uma escritora de peças de teatro, de peças de opera, de ficção, de biografia e de poesia, nascida nos Estados Unidos da América, e escreveu a Autobiografia de Alice B. Toklas, vestindo a pele, e ouvindo pela viva voz da sua companheira de 25 anos de vida, os relatos da historia de ambas, numa escrita acessível, apresentando situações caricatas ou indiscretas de grandes vultos da arte e da escrita da sua época. Alice B. Toklas foi também escritora, apesar de ter vivido sempre um pouco na sombra de Stein. Apesar de ambas terem crescido na Califórnia, apenas se conheceram em Paris, em 1907.


Naquela altura, Gertrude vivia há quatro anos com o seu irmão, o artista Leo Stein, no numero 27 da rue de Fleurus, num apartamento que se tinha transformado num salão de arte, recebendo exposições de arte moderna, e divulgando artistas que viriam a tornar-se muito famosos. Nestes anos iniciais em Paris, Stein estava a escrever o seu mais importante trabalho de início de carreira, Three Lives (1905).


Quando Gertrude e Alice se conheceram, a sua conexão foi imediata, e rapidamente Alice foi viver com Gertrude, tornando-se sua parceira de escrita e de vida. A casa, como se referiu atrás, tornou-se um local de reunião para escritores e artistas da vanguarda da época. Stein ajudou a lançar as carreiras de Matisse, e Picasso, entre outros, e passou a ser uma espécie de teórica de arte, aquela que descrevia os trabalhos destes artistas. No entanto, a maior parte das críticas que Stein recebia, acusavam-na de utilizar uma escrita demasiado densa e difícil, pelo que apenas em 1933, com a publicação da Autobiografia de Alice B. Toklas, é que o trabalho de Gertrude Stein se tornou de facto reconhecido e elogiado.


Alice foi o apoio de Gertrude, foi a dona de casa, a cozinheira, grande cozinheira aliás, vindo mais tarde a publicar algumas das suas receitas, e aquela que redigia e corrigia o que Gertrude lhe ditava. Assim, Toklas fundou uma pequena editora, a Plain Editions, onde publicava o trabalho de Gertrude. Aliás, é reconhecido nesta Autobiografia, que o papel de Gertrude, no casal, era o de marido, escrevendo e discutindo arte com os homens, enquanto Alice se ocupava da casa e da cozinha, e de conversar sobre chapéus e roupas com as mulheres dos artistas que visitavam a casa. Depois da morte de Gertrude, Alice continuou a promover o trabalho da sua companheira, bem como alguns trabalhos seus, de culinária, e um de memórias da vida que ambas partilharam.


Assim, este livro que inspirou o filme “Meia noite em Paris”, de Woody Allen, é um livro a não perder, já nas livrarias em Portugal, pela editora Ponto de Fuga.

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Liliana Félix Leite

Título:Autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein, pela primeira vez em Portugal

Autor:Liliana Félix Leite(todos os textos)

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