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Estou no BBB, só que não.

Categoria: Literatura
Estou no BBB, só que não.

Respirei, contei até três e coloquei o pé pra dentro daquele portão. Meus passos lentos, enquanto meu coração disparado, como se quisesse chegar antes de mim.

A escola era grande, paredes rústicas e acinzentadas, dando a ideia de inacabada, na verdade parecia mais um batalhão de guerra que uma escola.

A minha ansiedade e aquela aparência me fez ficar ainda mais apavorada.

Na entrada nenhuma pessoa. Olhei a área interna pelo portão, e nada. Parei...

“Listando, raciocinando e situando: Segunda-feira, onze de fevereiro ás sete horas da manhã.”

Conferi no relógio, nada errado, estava no lugar certo na hora certa. Mas os alunos e professores já deviam estar ali, e nada. As aulas começariam em quinze minutos e a escola estava aparentemente abandonada.

Sentei em um dos três degraus da entrada e joguei minha mochila do lado. Sentia uma mistura de decepção e alívio por aparentemente não ter aula. Decepção porque eu tinha passado o dia e a noite anteriores passando mal por causa daquele primeiro dia e enfrentá-lo seria uma libertação e alívio por não ter que enfrentá-lo.

Meus olhos foram atraídos para um campo em frente à escola. Fiquei por um bom tempo observando. Era um espaço verde e cheio de vida, apesar de abandonado tinha uma beleza natural, e umas flores coloridas pontuavam graça e encantamento àquele espaço.

O verde de lá e o cinza de cá não se misturavam, era como uma montagem mal feita de fotografia.

-Bom dia.

Uma voz masculina áspera, me fez levantar num pulo e me colocar em prontidão como um soldado diante do sargento. Era um homem de mais ou menos cinquenta anos, cabelos grisalhos, rosto sério e vestido em vários tons de marrom. Sua aparência ornava perfeitamente com o cinza das paredes.

-Sou Diana, é o meu primeiro dia.

Falei sorrindo e tentando tirar alguma reação daquele rosto, mas ele continuou sério:

-Porque não tocou a campainha?

Girei o olhar pela parede e lá até com certo destaque, aquele botão, que por algum motivo eu não tinha visto, talvez porque não estava procurando.

-Estava tudo silencioso, pensei que as pessoas ainda não tivessem chegado.

O seu olhar e sua face não expressaram nenhuma emoção, apenas disse:

-Aqui... ninguém chega atrasado, Diana.

Me senti uma “embrulhona” como sempre diz minha mãe quando me acusa de não querer nada da vida. A minha intimidade com aquele homem era zero, e ele falava como se fosse meu pai. Permaneci calada e ele continuou mostrando para a entrada da escola:

-Não vamos perder mais tempo.

Entrei, apesar de uma vontade imensa de voltar correndo. Aquelas primeiras impressões não estavam ajudando muito.

Lá dentro apesar das paredes continuarem cinzas, havia vasos de flores e quadros coloridos por toda a parte, quebrando a aridez daquele local.

Caminhamos por um lugar estreito entre refeitório, banheiros e salas, rodeamos toda a estrutura e chegamos a uma porta. Ele bateu e me disse que era a diretora Olivia, deixando claro não ser seu melhor amigo.

No canto de uma sala imensa decorada com um bom gosto bastante duvidoso, atrás de uma mesa, vestida com com um floral totalmente destacado, estava uma mulher de meia idade, alta, cabelos curtos cinza e um sorriso grande.

Ela me recebeu festivamente, até com certo exagero, o que também me deixou assustada. Definitivamente os extremos daquela escola não me agradava.

Saímos e minhas pernas novamente estavam tremendo. Aquele homem que até agora eu não sabia o nome, foi à frente e me apontou a sala. As vozes que vinham lá de dentro silenciaram imediatamente com a minha batida à porta, o que fez minha ansiedade aumentar. Imaginei todos me olhando e esperando que me apresentasse.

E foi o que aconteceu. A porta se abriu e uma mulher me sorriu. Vi logo que era a professora.

Os alunos inclinavam na cadeira tentando me ver. Sorri e rapidamente fui para a cadeira, implorando aos céus que me fizesse invisível naquele momento.

A sala estava cheia, apenas uma cadeira vazia que entendi que era minha. A professora se apresentou como Letícia, professora de português e pediu que me apresentasse também. Sua simpatia tinha um tom de superioridade, e seu sorriso não era acolhedor.

-Em qual área você contribuirá com o mundo?

-Hã?

Olhei de um lado e outro, sem fazer ideia do que ela estava perguntando. Naquela hora o cinza da escola me fez sentido, me senti como que recrutada para o exercito. Alguém atrás de mim me cutucou:

-Ela quer saber se você é pensamento, sentimento ou força.

O que estava confuso ficou completamente incompreensível. Parecia que elas estavam falando em outra língua. Olhei para a professora, ela estava me encarando esperando a resposta e eu não fazia ideia do que dizer.

- Fala que está indecisa.

Outro cutucão. E eu respondi gaguejando.

-Você ainda não tem clareza, o que é diferente de estar indecisa. Isto não é uma escolha, você só tem que conhecer e aceitar.

Ela falou e sorriu largamente novamente, o que me pareceu sem propósito ou fora de hora, mas como eu permaneci séria, ela continuou:

-Não se preocupe, você terá um tutor para te orientar.

E outro sorriso.

O sino tocou interrompendo a aula e pondo fim àquela conversa para meu alívio. A menina dos cutucões se apresentou. Era Lidia. Agradeci a ajuda, ela parecia bem legal, mas o professor da próxima aula chegou e só deu tempo dela falar com tom de aviso.

-Aqui os quadros tem olhos, as paredes ouvidos. Fica atenta, você está no Big Brother Brasil.

Eu já não sabia o que fazer. Tinha vontade de sair gritando pela minha mãe. Quanto mais passava os minutos, quanto mais eu ouvia, menos eu entendia. Saí de casa para ir para a escola e parecia que eu estava num grupo de espionagem, onde todos eram inimigos.

Era incrível uma turma tão disciplinada, na verdade uma escola disciplinada. Não se ouvia um pio fora do horário, parecia que até os mosquitos batiam as asas nos momentos certos ali. A última aula terminou e enquanto eu arrumava os materiais, todos saíram, quando saí os últimos alunos já estavam se distanciando.

Cheguei em casa, todos já tinham almoçado. Respondi com “foi bem” a todas as perguntas sobre o primeiro dia de aula e depois fui para o quarto.

"Listando, raciocinando e situando: Aquilo é um reality show? estou sendo vigiada?... Isto não faz sentido, eu estou sonhando."

Me belisquei e senti arder meu braço. Me joguei na minha cama, único lugar que poderia me acolher e me ajudar a aceitar aquela conclusão: Tudo aquilo apesar de confuso, era real, eu não estava sonhando.

"Aguarde o próximo capítulo"


Meirilene Reis

Título: Estou no BBB, só que não.

Autor: Meirilene Reis (todos os textos)

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Um caminho para curar o transtorno alimentar

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Tema: Saúde
Um caminho para curar o transtorno alimentar\"Rua
De acordo com um relatório divulgado em novembro de 2014 pelo Comitê Permanente sobre o Status da Mulher, entre 600 mil a um milhão de canadenses cumprem os critérios diagnósticos para um transtorno alimentar em um dado momento. Problemas de saúde mental com ramificações físicas graves, anorexia e bulimia são difíceis de tratar.

Os programas públicos de internação frequentemente não admitem pacientes até que estejam em condição de risco de vida, e muitos respondem mal à abordagem em grupo. As clínicas privadas costumam ter listas de espera épicas e custos altos: um quarto custa de US$ 305 a US$ 360 por dia.


Corinne lutou juntamente com seus pais contra a bulimia e anorexia por mais de cinco anos. Duffy e Terry, pais de Corinne, encontraram uma clínica na Virgínia. Hoje, aos 24 anos, ela é saudável e está cursando mestrado em Colorado. Ela e seus pais acreditam que a abordagem holística, o foco individualizado e a estrutura imersiva de seu tratamento foram fundamentais para sua recuperação.

Eles sabem que tinham acesso a recursos exclusivos. "Tivemos sorte", diz Duffy. "Podíamos pagar por tudo." Mas muitos não podem.
A luta desta família levou-os a refletir sobre o problema nos Estados Unidos. Em 2013, eles fundaram a Water Stone Clinic, um centro privado de transtornos alimentares em Toronto. Eles fazem yoga, terapia de arte e participam na preparação de refeições, construindo habilidades na vida real com uma equipe de apoio empática. Os programas funcionam nos dias da semana das 8h às 14h, e até agora, não tem lista de espera. Porém essa abordagem é onerosa: aproximadamente US$ 650 por dia.

A família criou a Fundação Water Stone - uma instituição de caridade que fornece ajuda a pacientes que não podem pagar o tratamento. Os candidatos são avaliados por dois comitês que tomam uma decisão baseada na necessidade clínica e financeira. David Choo Chong foi o primeiro a se beneficiar da fundação. Ele havia tentado muitos programas, mas nenhum foi bem sucedido. A fundação pagou metade do tratamento. Dois anos depois, Choo Chong, feliz e estável diz "Water Stone me ajudou a encontrar quem eu sou".

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Roberta Darc

Título:Um caminho para curar o transtorno alimentar

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