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"Casamento, apartamento"

Categoria: Imóveis Venda
"Casamento, apartamento"

O que mais se vê por aí são anúncios de compra, venda e aluguer de apartamentos. Será porque o negócio é rentável, ou a razão prende-se com o “passar a batata quente” de algum mau contrato?

Seja como for, as pessoas sentem necessidade de ter um tecto, um lar onde possam repousar, um espaço que considerem como seu (embora na prática saibam que mal se esqueçam de pagar a renda têm o senhorio à perna, qual rocha na lapa…), um “ninho” para construir uma família.

Como diz um ditado popular: «Casamento, apartamento». É compreensível e aceitável.

Todavia, parece paradoxal que, com a taxa de divórcios a subir em flecha, a procura de apartamentos também aumente. Talvez a explicação resida no facto de que uma família de dois se desdobra, com a separação, em duas “famílias de um”…

Mas se é fácil livrar-se da vizinhança de dentro, revela-se extremamente complicado controlar os vizinhos do lado, da frente, de cima, de baixo. Às vezes a raiva é tanta que dá a impressão de que um simples bufar dessa ira seria suficiente para furar as finas paredes que os distanciam da tão apetecida intimidade, amiudadamente comprometida e violada.

Nestes casos, o que se desejava era o apartamento do vizinho (não a casa dele, claro está, mas apartamento no sentido de afastamento) ou, mais vulgarmente, da vizinha, que parece cair de pára-quedas na janela sempre que chegam visitas ou se estão a tirar as compras do carro, arranjando, invariavelmente, um tapete para sacudir ou as penas do periquito para arejar.

Encontra-se, literalmente, debruçada em cima do acontecimento. Atenção às vertigens…


Rua Direita

Título: "Casamento, apartamento"

Autor: Rua Direita (todos os textos)

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Imagem por: Ramón Cutanda

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Fine and Mellow

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Tema: Música
Fine and Mellow\"Rua
"O amor é como uma torneira
Que você abre e fecha
Às vezes quando você pensa que ela está aberta, querido
Ela se fechou e se foi"
(Fine and Melow by Billie Holiday)

Ao assistir a Bio de Billie Holiday, ocorreu-me a questão Bluesingers x feminismo, pois quem ouve Blues, especialmente as mais antigas, as damas dos anos 10, 20, 30, 40, 50, há de pensar que eram mulheres submissas ao machismo e maldade de seus homens. Mas, as cantoras de Blues, eram mulheres extremamente independentes; embora cantassem seus problemas, elas não eram submissas a ponto de serem ultrajadas, espancadas... Eram submissas, sim, ao amor, ao bom trato... Essas mulheres, durante muito tempo, tiveram de se virar sozinhas e sempre que era necessário, ficavam sós ou mudavam de parceiros ou assumiam sua bissexualidade ou homossexualidade efetiva. Estas senhoras, muitas trabalharam como prostitutas, eram viciadas em drogas ou viviam boa parte entregues ao álcool, merecem todo nosso respeito. Além de serem precursoras do feminismo, pois romperam barreiras em tempos bem difíceis, amargavam sua solidão motivadas pelo preconceito em relação a cor de sua pele, como aconteceu a Lady Day quê, quando tocava com Artie Shaw, teve que esperar muitas vezes dentro do ônibus, enquanto uma cantora branca cantava os arranjos que haviam sido feitos especialmente para ela, Bilie Holiday. Foram humilhadas, mas, nunca servis; lutaram com garra e competência, eram mulheres de fibra e cheias de muito amor. Ouvir Billie cantar Strange Fruit, uma das primeiras canções de protestos, sem medo, apenas com dor na alma, é demais para quem tem sentimentos. O brilho nos olhos de Billie, fosse quando cantava sobre dor de amor ou sobre dor da dor, é insubstituível. Viva elas, nossas Divas do Blues, viva Billie Holiday, aquela que quando canta parte o coração da gente; linda, magnifica, incomparável, Lady Day.

O amor vai fazer você beber e cair
Vai fazer você ficar a noite toda se repetindo

O amor vai fazer você fazer coisas
Que você sabe que são erradas

Mas, se você me tratar bem, querido
Eu estarei em casa todos os dias

Mas, se você continuar a ser tão mau pra mim, querido
Eu sei que você vai acabar comigo

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Sayonara Melo

Título:Fine and Mellow

Autor:Sayonara Melo(todos os textos)

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