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Porque ter uma lareira

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Porque ter uma lareira

Que imagem mais reconfortante a de uma lareira acesa, numa noite fria de Inverno! Parece que nunca mais se chega a casa para se poder aquecer o esqueleto e descongelar algumas ideias. Sim, porque em muitos dias a mioleira quase que enregela.

Refastelar-se ali, esfregando as mãos, a ouvir o crepitar da lenha a arder, que mais aparenta o estalar de pipocas na panela, é uma cena relaxante pela qual se anseia ao cabo de um estafante dia de trabalho.

Mais ainda se se gostar de tricotar e houver um gato em casa, que se entretenha a desenrolar o novelo de lã. Aí seria realmente “ouro sobre azul”. Está montado o cenário perfeito para um verdadeiro conto de fadas…

Antes de acender a lareira convém verificar se não há objectos por perto. As meias só lá se põem no Natal e, mesmo assim, não consta que o Pai Natal deixe os presentinhos em meias torradas!

Coitado, com tanto descer lareiras, qualquer dia, algum insatisfeito armado em criativo ainda lhe começa a chamar “limpa-chaminés”…

Há quem encontre na lareira outras funcionalidades e, então, assam-se castanhas e até a carne do jantar.

Atenção que se o cheiro chega ao exterior ainda alguém pensa que se trata de um sacrifício humano, com tentativa de ocultação das provas!

Para além do efeito estético que produzem em qualquer casa, as lareiras proporcionam, de facto, um ambiente especial e muito aconchegante.

De ressalvar, contudo, os cuidados a ter com a ventilação do espaço, pois a inalação do fumo pode ser bastante perigosa. Era caso para dizer: «Não morre do frio, morre da “lareirite”».


Rua Direita

Título: Porque ter uma lareira

Autor: Rua Direita (todos os textos)

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Imagem por: Sam Felder

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Autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein, pela primeira vez em Portugal

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Tema: Literatura
Autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein, pela primeira vez em Portugal\"Rua
Gertrude Stein foi uma escritora de peças de teatro, de peças de opera, de ficção, de biografia e de poesia, nascida nos Estados Unidos da América, e escreveu a Autobiografia de Alice B. Toklas, vestindo a pele, e ouvindo pela viva voz da sua companheira de 25 anos de vida, os relatos da historia de ambas, numa escrita acessível, apresentando situações caricatas ou indiscretas de grandes vultos da arte e da escrita da sua época. Alice B. Toklas foi também escritora, apesar de ter vivido sempre um pouco na sombra de Stein. Apesar de ambas terem crescido na Califórnia, apenas se conheceram em Paris, em 1907.


Naquela altura, Gertrude vivia há quatro anos com o seu irmão, o artista Leo Stein, no numero 27 da rue de Fleurus, num apartamento que se tinha transformado num salão de arte, recebendo exposições de arte moderna, e divulgando artistas que viriam a tornar-se muito famosos. Nestes anos iniciais em Paris, Stein estava a escrever o seu mais importante trabalho de início de carreira, Three Lives (1905).


Quando Gertrude e Alice se conheceram, a sua conexão foi imediata, e rapidamente Alice foi viver com Gertrude, tornando-se sua parceira de escrita e de vida. A casa, como se referiu atrás, tornou-se um local de reunião para escritores e artistas da vanguarda da época. Stein ajudou a lançar as carreiras de Matisse, e Picasso, entre outros, e passou a ser uma espécie de teórica de arte, aquela que descrevia os trabalhos destes artistas. No entanto, a maior parte das críticas que Stein recebia, acusavam-na de utilizar uma escrita demasiado densa e difícil, pelo que apenas em 1933, com a publicação da Autobiografia de Alice B. Toklas, é que o trabalho de Gertrude Stein se tornou de facto reconhecido e elogiado.


Alice foi o apoio de Gertrude, foi a dona de casa, a cozinheira, grande cozinheira aliás, vindo mais tarde a publicar algumas das suas receitas, e aquela que redigia e corrigia o que Gertrude lhe ditava. Assim, Toklas fundou uma pequena editora, a Plain Editions, onde publicava o trabalho de Gertrude. Aliás, é reconhecido nesta Autobiografia, que o papel de Gertrude, no casal, era o de marido, escrevendo e discutindo arte com os homens, enquanto Alice se ocupava da casa e da cozinha, e de conversar sobre chapéus e roupas com as mulheres dos artistas que visitavam a casa. Depois da morte de Gertrude, Alice continuou a promover o trabalho da sua companheira, bem como alguns trabalhos seus, de culinária, e um de memórias da vida que ambas partilharam.


Assim, este livro que inspirou o filme “Meia noite em Paris”, de Woody Allen, é um livro a não perder, já nas livrarias em Portugal, pela editora Ponto de Fuga.

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Liliana Félix Leite

Título:Autobiografia de Alice B. Toklas, de Gertrude Stein, pela primeira vez em Portugal

Autor:Liliana Félix Leite(todos os textos)

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