Bem vindo à Rua Direita!
Eu sou a Sophia, a assistente virtual da Rua Direita.
Em que posso ser-lhe útil?

Email

Questão

a carregar
Textos | Produtos                                                    
|
Top 30 | Categorias

Email

Password


Esqueceu a sua password?
Início > Textos > Categoria > Literatura > Resenha: "Garotas de vidro" (Laurie Halse Anderson)

Resenha: "Garotas de vidro" (Laurie Halse Anderson)

Categoria: Literatura
Resenha: "Garotas de vidro" (Laurie Halse Anderson)

Oi pessoas, tudo bem? Espero que sim. Bem por onde começar ... Acredito que "Garotas de Vidro" é um daqueles livros que ou a pessoa ama, ou odeia. Primeiro, por que ele é pesadíssimo. Segundo, por que é narrado em primeira pessoa por uma personagem em vias de fragmentação mental e com um olhar extremamente distorcido da realidade. Mas vamos a estória.

Lia é uma adolescente de 18 anos que mora com o pai e a madrasta e sua meia irmã. O pai é um brilhante professor e escritor. A mãe, uma cirurgiã extremamente competente. Ambos são excelentes em sua carreira, mas como pais acabam não conseguindo ver que Lia precisa de ajuda até que esta sofre um acidente de carro. O motivo? Lia não come. Sua maior obsessão é perder peso. E perder mais. E mais.
- Garota morta passando - os garotos dizem nos corredores.
- Conta para a gente o seu segredo - as garotas sussurram, de um banheiro para o outro.
Eu sou essa garota.
Eu sou o espaço entre as minhas coxas, com a luz do dia brilhando por ali.
Eu sou a ajudante da biblioteca que se esconde na sessão de Fantasia.
Eu sou o circo de aberrações envolto em cera de abelha.
Eu sou os ossos que elas querem, em uma moldura de porcelana.

Lia já passou por duas internações e agora tem seu peso monitorado uma vez por semana por sua madrasta, mas conseguiu adulterar a balança de sua casa para parecer pesar quase 5 quilos mais. Sua recuperação vinha sendo lenta mas progressiva, mas um acontecimento vem fazer com que seu mundo se desestabilize novamente: sua melhor amiga, Cassie, morreu no banheiro de um motel após tentar ligar para Lia 33 vezes. Uma aposta há muito feita entre as duas? Um dia ser a mais magra.

Abro os olhos. Quarenta e cinco quilos. Estou oficialmente de pé sobre o Objetivo Número Um.
Se meus médicos soubessem, me jogariam de volta para o tratamento. Haveria consequências e repercussões porque (mais uma vez) eu quebrei as regras da Lia do tamanho perfeito. Tenho que ficar tão gorda quanto eles querem (...) O Objetivo número dois é 43 quilos, o ponto perfeito do equilíbrio. Com 43 quilos vou ser pura ... vou ficar de pé nas pontas escondidas das minhas sapatilhas de cetim de balé. fitas cor-de-rosa costuradas nas minhas canelas, e me erguer no ar: mágica.

Com 40 quilos, vou planar. Esse é o objetivo número 3.
Por mais que não seja dito de forma explícita, é visível como o fato de não ter atendido a ligação de sua melhor amiga - na verdade, ex melhor amiga, o que se descobre melhor no desenrolar da trama - afeta Lia, que passa a ter alucinações com a amiga morta. A partir de então, Lia volta a ter comportamentos auto-destrutivos, retomando um blog em que escrevia junto com Cassie - que sofria de Bulimia - além da dieta, exercícios em ritmo frenético e auto-mutilação para poder lidar com os acontecimentos.
Antigamente, meu corpo todo era minha tela - cortes quentes lambendo minhas costelas, degraus de escada escalando meus braços ... quando me mudei meu pai impôs somente uma condição. Uma filha que se esquece de comer, isso era só uma fase e eu já tinha superado. Mas uma filha que abre seu próprio invólucro de pele, querendo deixar sua casca cair no chão para que ela consiga dançar? Aquilo era doentio. Sem cortes, Lia Marrigan Overbrook. (...) Toda a maldade ferve sob a minha pele, bolhas latejantes de refrigerante de gengibre ... Eu escrevo três linhas, "rec rec rec", na minha pele. Fantasmas gotejam para fora.

Até onde Lia poderá aguentar sem ajuda? E o que era mesmo que Cassie gostaria de ter dito antes de morrer?

Li todo o livro em apenas um dia. Por mais que tenha sido uma leitura pesada e, em alguma passagens, um tanto quanto angustiante, não consegui tirar os olhos das páginas. Por mais que algumas vezes o discurso de Lia seja francamente delirante, acompanhar seus pontos de vista distorcidos, sua visão adulterada da realidade e sua contradição interna entre vontade de comer/medo de se contaminar é fascinante.

Fora isso, a escrita impecável de Laurie Halse Anderson, bem como a profundidade com que esta aborda um tema tão polêmico e complexo dos distúrbios alimentares, me conquistaram por completo. É um livro que com certeza entrará para minha lista de favoritos. Recomendo.


Sheila Schildt

Título: Resenha: "Garotas de vidro" (Laurie Halse Anderson)

Autor: Sheila Schildt (todos os textos)

Visitas: 0

276 

Comentários - Resenha: "Garotas de vidro" (Laurie Halse Anderson)

voltar ao texto
  • Avatar *     (clique para seleccionar)


  • Nome *

  • Email

    opcional - receberá notificações

  • Mensagem *

  • Os campos com * são obrigatórios


  • Notifique-me de comentários neste texto por email.

  • Notifique-me de respostas ao meu comentário por email.

Fine and Mellow

Ler próximo texto...

Tema: Música
Fine and Mellow\"Rua
"O amor é como uma torneira
Que você abre e fecha
Às vezes quando você pensa que ela está aberta, querido
Ela se fechou e se foi"
(Fine and Melow by Billie Holiday)

Ao assistir a Bio de Billie Holiday, ocorreu-me a questão Bluesingers x feminismo, pois quem ouve Blues, especialmente as mais antigas, as damas dos anos 10, 20, 30, 40, 50, há de pensar que eram mulheres submissas ao machismo e maldade de seus homens. Mas, as cantoras de Blues, eram mulheres extremamente independentes; embora cantassem seus problemas, elas não eram submissas a ponto de serem ultrajadas, espancadas... Eram submissas, sim, ao amor, ao bom trato... Essas mulheres, durante muito tempo, tiveram de se virar sozinhas e sempre que era necessário, ficavam sós ou mudavam de parceiros ou assumiam sua bissexualidade ou homossexualidade efetiva. Estas senhoras, muitas trabalharam como prostitutas, eram viciadas em drogas ou viviam boa parte entregues ao álcool, merecem todo nosso respeito. Além de serem precursoras do feminismo, pois romperam barreiras em tempos bem difíceis, amargavam sua solidão motivadas pelo preconceito em relação a cor de sua pele, como aconteceu a Lady Day quê, quando tocava com Artie Shaw, teve que esperar muitas vezes dentro do ônibus, enquanto uma cantora branca cantava os arranjos que haviam sido feitos especialmente para ela, Bilie Holiday. Foram humilhadas, mas, nunca servis; lutaram com garra e competência, eram mulheres de fibra e cheias de muito amor. Ouvir Billie cantar Strange Fruit, uma das primeiras canções de protestos, sem medo, apenas com dor na alma, é demais para quem tem sentimentos. O brilho nos olhos de Billie, fosse quando cantava sobre dor de amor ou sobre dor da dor, é insubstituível. Viva elas, nossas Divas do Blues, viva Billie Holiday, aquela que quando canta parte o coração da gente; linda, magnifica, incomparável, Lady Day.

O amor vai fazer você beber e cair
Vai fazer você ficar a noite toda se repetindo

O amor vai fazer você fazer coisas
Que você sabe que são erradas

Mas, se você me tratar bem, querido
Eu estarei em casa todos os dias

Mas, se você continuar a ser tão mau pra mim, querido
Eu sei que você vai acabar comigo

Pesquisar mais textos:

Sayonara Melo

Título:Fine and Mellow

Autor:Sayonara Melo(todos os textos)

Alerta

Tipo alerta:

Mensagem

Conte-nos porque marcou o texto. Essa informação não será publicada.

Pesquisar mais textos:

Deixe o seu comentário

  • Nome *

  • email

    opcional - receberá notificações

  • mensagem *

  • Os campos com * são obrigatórios