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Chauvet, Cosquer e Foz Côa - Arte Rupestre

Texto escrito nos termos do novo acordo ortográfico.
Categoria: Arte
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Comentários: 6
Chauvet, Cosquer e Foz Côa - Arte Rupestre

Chauvet, Cosquer e Côa vieram dar algo novo ao entendimento da arte Paleolítica Europeia. O estudo da evolução da arte parietal baseou-se por muito tempo na análise estilística das representações, ou na datação de vestígios encontrados na proximidade das paredes decoradas e supostamente contemporâneos dos desenhos.

A datação através do método do carbono 14 veio dar á cronologia estilística uma diferente distribuição no tempo e com isso criar também algumas questões relativamente a esse facto, poder-se-ia continuar a fazer datações “concretas” comparando estilos, por parecenças?

Este método de datação por carbono 14 veio provar que essa linearidade de estilos, até então utilizada para datações, não era assim tão fidedigna quanto se poderia julgar. A descoberta destas três grutas, Cosquer em meados de 1991, Chauvet e Côa no ano de 1994 abalaram a comunidade científica, criando uma controvérsia enorme no que dizia respeito á autenticidade da arte, e idade das mesmas o que por consequência pôs em causa o conhecimento da arte Paleolítica. O vale do Côa fez também com que a arte das cavernas fosse sentida como uma actividade excepcional limitada quer no espaço quer no tempo comparada com a arte ao ar livre.

A gruta de Chauvet está localizada no sul de França mais precisamente em Vallon-Pont-d'Arc. Nela foram descobertas inúmeras pinturas rupestres no ano de 1994 por Jean-Marie Chauvet e dois amigos, Eliette Brunel e Christian Hillaire, pelo que em sua homenagem se passou a chamar por gruta de Chauvet.

Através da datação por carbono 14 foi possível datar directamente as descobertas arqueológicas nomeadamente o complexo de desenhos, pinturas e gravuras desta gruta. O uso do carbono 14 recuou a data de surgimento da arte das cavernas, que se julgava ter a mesma datação de Lascaux - as imagens de Chauvet são cerca de 10 mil anos mais velhas do que se imaginava (datadas de 30,340 até 32,410). Conhecida como a nova Lascaux, nela foram encontradas cerca de quatrocentas figuras de animais, isoladas ou reunidas em grandes composições.

Esses animais, frequentemente representados em movimento, distinguem-se pelo seu naturalismo e dinamismo. A natureza dos animais representados e as técnicas utilizadas tornam essas figuras singulares. Os mais abundantes são os rinocerontes, os leões e os mamutes bem como também aparece representadas corujas, panteras e uma possível hiena.

Contudo, essas espécies são relativamente raras na arte paleolítica europeia e ao contrário do que acontece na pintura magdalenense, os cavalos e os auroques aparecem em pouca quantidade. A arte que aparece nesta gruta mostra uma reprodução da perspectiva espacial de diferentes formas, o esfumado e o recorte, pouco frequentes na arte paleolítica, mostrando já alguma “sofisticação” destas técnicas, bem como também um cuidado muito particular no que diz respeito á preparação da superfície utilizada para as pinturas (para conseguirem modular contrastes e luminosidade), o que indica uma certa deliberação anterior á realização da obra. Não só estes factos impediram que se pudessem fazer datações em Chauvet com base no estilismo das gravuras bem como a abundância das mesmas existentes nesta gruta. A coerência da arte presente nas paredes de Chauvet deve-se às técnicas utilizadas e aos temas representados.

A Gruta de Cosquer está localizada na base de uma falésia do Cabo de Morgiou, faz parte integrante do maciço costeiro das Calanques de La Triperie, entre as localidades de Les Goudes e Cassis, junto à cidade de Marselha, no Sudeste de França. Mais de dois terços das galerias da gruta estão submersas. Nela foram encontradas mais de quatrocentas representações. No que diz respeito à pintura foram utilizados dois pigmentos naturais, o carvão, utilizado como “lápis” quer através da técnica de pulverização, e a argila vermelha utilizada também através deste último método.

A nível das representações existentes nesta gruta estão presentes figuras zoomórficas (onde se reconhecem diferentes espécies como cabras, bovinos, bisontes, auroques entre outros), figuras antropomorfias, sinais abstractos e/ou estruturados e um conjunto de figuras indeterminadas.

As gravuras de Foz Côa estendem-se ao longo de vários quilómetros na margem do rio Côa no distrito da Guarda em Portugal, formando o maior complexo de arte rupestre paleolítica ao ar livre do mundo. As gravuras que se encontram em Foz Côa são a sua maioria representações animais, embora também exista representações humanas e “abstractas”. Neste complexo a maioria das gravuras estão datadas do Paleolítico superior, mas existem também pinturas e gravuras do Neolítico e Calcolítico e gravuras da Idade do Ferro e algumas representações da época moderna e contemporânea. Contudo uma grande parte dessas representações são do periodo Solutrense e Magdalenense. Contudo o vale do Côa passou por alguns “problemas” quer no processo para a não construção de uma barragem naquele local (e que iria “destruir” as representações ali existentes) quer no que diz respeito á datação das suas obras durante o mesmo. Os quais foram “resolvidos” após a descoberta uma habitação com centenas de artefactos um metro abaixo da areia, descoberta essa que foi atribuída ao Gravetense.

O que veio provar que ao contrário do que alguns supuseram o vale não era tão recente quanto se julgou e que no Paleolítico superior o mesmo tinha sido habitado. As figuras representadas no vale do Côa foram realizadas por picotagem, incisão filiforme, abrasão ou raspagem ou por combinações destas técnicas. Em alguns exemplares de pintura estão presentes alguns ocres vermelhos e amarelos (e provavelmente existiriam muitos mais que desapareceram pela erosão). Nas gravuras os animais aparecem isolados ou em associação, constituindo autênticos painéis. As representações de animais podem sobrepor-se mais ou menos densamente, como podem também estar bem individualizadas, as suas representações são bastante naturalistas. Algumas das características das representações animais parecem-se com algumas das figuras que podemos encontrar em Cosquer do período Solutrense.

Chaveut, Cosquer e o Vale do Côa foram grandes descobertas que possibilitaram uma visão mais alargada do que se conhecia da arte Paleolítica até então. Algumas das questões que se colocavam até à data das suas descobertas foram resolvidas pelo menos em parte com a ajuda destes locais e de tudo o que neles foi encontrado. Cosquer ajudou na melhor compreensão da teoria dos stencils de dedos incompletos. Côa permitiu a comparação da arte ao ar livre com a arte das grutas e Chauvet veio mostrar que a arte das cavernas era bem mais antiga do que aquilo que se julgava.

Os três Cs’ (Chaveut, Cosquer e Côa) tal como Jean Clottes definiu mostram ao contrário do que acontece por vezes, que podemos ser surpreendidos por descobertas fantásticas e que as mesmas vêm por vezes por em causa coisas que foram dadas como garantidas por muito tempo.


Sónia Henriques

Título: Chauvet, Cosquer e Foz Côa - Arte Rupestre

Autor: Sónia Henriques (todos os textos)

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Comentários     ( 6 )    recentes

  • M.L.E.- Soluções de Climatizaçãoto maria

    12-05-2014 às 23:52:35

    Finalmente entendi porque o meu pai falava das gravuras de Foz Côa , só hoje ao ler este texto é que entendi, muito obrigado, adorei os detalhes, a forma descretiva da escrita e o seu conhecimento. Parabens!

    ¬ Responder
  • M.L.E.- Soluções de Climatizaçãotulio

    28-01-2013 às 19:51:05

    me ajudou muito no trabalho da escola obriago, galera

    ¬ Responder
  • M.L.E.- Soluções de Climatizaçãopatricia

    28-10-2012 às 16:53:18

    muito, muito interessante

    ¬ Responder
  • M.L.E.- Soluções de ClimatizaçãoDeni

    23-10-2012 às 21:56:35

    muito bom

    ¬ Responder
  • Sónia HenriquesSónia Henriques

    24-10-2012 às 21:54:31

    Obrigado!

    ¬ Responder
  • Sónia HenriquesSónia Henriques

    23-10-2012 às 21:36:26

    Deixe o seu comentário! Obrigado

    ¬ Responder

Comentários - Chauvet, Cosquer e Foz Côa - Arte Rupestre

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Um sinal de compromisso

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Texto escrito nos termos do novo acordo ortográfico.
Tema: Jóias Relógios
Um sinal de compromisso\"Rua
Exibir uma aliança de compromisso é, frequentemente, motivo de orgulho e, quando se olha para ela, vai-se rodando-a no dedo e fica-se com aquela expressão ridícula na cara.

Uma questão se coloca: qual a razão de estas alianças de compromisso serem tão fininhas: será porque os seus principais clientes, os jovens, são sujeitos de poucas posses (tendendo as mesadas a emagrecer ainda mais com a crise generalizada) ou porque esse compromisso, não obstante a paixão arrebatadora, é frágil e inseguro?

Sim, porque aqui há que fazer cálculos matemáticos: x compromissos vezes y alianças…com um orçamento limitado sobre um fundo sentimental infinito…

Depois, importa perpassar os tipos destas alianças. Há as provisórias, que duram em média quinze dias; há as voadoras, que atravessam os ares à velocidade da luz quando a coisa dá para o torto; há as que insistem em cair do dedo, sobretudo em momentos em que ter um compromisso se revela extremamente inoportuno; e depois há as residentes, que uma vez entradas não tornam a sair.

Os pombos-correios usam anilhas onde figuram códigos que os identificam. Talvez não fosse completamente descabido fazer umas inscrições deste género em algumas alianças de compromisso por aí…

Só para ajudar os mais esquecidos a recordarem a que “pombal” pertencem.

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Comentários

  • Luene ZarcoLuene

    22-09-2014 às 05:46:10

    Um sinal de amor e lealdade perpétua! Adoro ver os vários modelos de aliança! Vale a pena escolher uma bem bonita!

    ¬ Responder

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